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Tratamento de Dependentes

O abuso de drogas é altamente prevalente entre os indivíduos da sociedade moderna e reconhecidamente se acompanha de problemas sociais, psicológicos e físicos, a curto, médio e longo prazo.

A dependência alcança vários níveis do indivíduo, seja ela física ou psicológica. A física reside na necessidade sempre presente, a nível fisiológico, tornando dolorosa a suspensão brusca das drogas que gera crises de abstinência. A dependência física é o resultado da adaptação do organismo, independente da vontade do indivíduo. Pode haver dependência física e tolerância à substância, coexistindo ou incidindo isoladamente. A suspensão da droga provoca múltiplas alterações somáticas, causando o que se chama de delirium tremens. Isto significa dizer que o corpo não suporta a síndrome da abstinência entrando em estado de "pânico".

A dependência psicológica, por sua vez, faz com que o indivíduo sinta um impulso irrefreável, tendo que fazer uso das drogas a fim de evitar o mal estar. A dependência psicológica indica a existência de alterações psíquicas que favorecem a aquisição do hábito. O hábito é um dos aspectos importantes a ser considerado na dependência química, pois a dependência psíquica e a tolerância significam que a dose deverá ser ainda aumentada para se obter os efeitos desejados. A tolerância é o fenômeno responsável pela necessidade sempre presente que o dependente sente em aumentar o uso da droga.

Em estado de dependência psíquica, o desejo de tomar outra dose, transforma-se em necessidade, que se não satisfeita leva o indivíduo a um profundo estado de angústia, (estado depressivo).

Tratamento de dependentes – Características da dependência:

Podemos caracterizar a dependência de drogas como um forte desejo ou compulsão para consumir a substância; dificuldade no controle de consumir a substância uma vez que consuma a primeira dose, ou seja uma vez iniciado não há controle nos níveis de consumo; ocorre um estado de abstinência fisiológica quando o uso cessou ou foi reduzido (sintomas de abstinência ou uso da substância para aliviá-los); evidência de tolerância, de tal forma que doses crescentes da substância psicoativa são requeridas para alcançar efeitos originalmente produzidos por doses mais baixas; abandono progressivo de prazeres ou interesses alternativos em favor do uso da substância psicoativa, aumento do tempo necessário para obter ou tomar a substância ou para se recuperar dos seus efeitos; persistência no uso da substância, a despeito de evidência clara de consequências manifestamente nocivas, tais como dano ao fígado por excesso de álcool, depressão consequente a período de consumo excessivo da substância ou comprometimento cognitivo relacionado à droga.

Tratamento de dependentes – Perfil dos usuários no Brasil: Pesquisa 2005 Cebrid – dados mais atuais.

Dados específicos

Distribuição dos 7.939 entrevistados, segundo uso na vida, uso no ano e uso no mês de qualquer droga (exceto Tabaco e Álcool) nas 108 cidades com mais de 200 mil habitantes.

Tratamento de dependentes - Dados relevantes:

22,8% da população pesquisada já fizeram uso na vida de drogas exceto tabaco e álcool, correspondendo a uma população de 10.746.991 pessoas. Em pesquisa semelhante realizada nos EUA, em 2004, essa porcentagem atinge 45,4% e no Chile 17,1%.

A estimativa de dependentes de Álcool foi de 12,3% e de tabaco 10,1%, o que corresponde a populações de 5.799.005 e 4.700.635 de pessoas, respectivamente. Entretanto, é preciso levar em conta que os critérios adotados no presente trabalho para diagnosticar dependência são menos rigorosos que os do DSM-III-R e os da CID-10 adotados pela OMS, fato que pode ter inflacionado os presentes achados de dependência.

O uso na vida de Maconha aparece em primeiro lugar entre as drogas ilícitas, com 8,8% dos entrevistados. Comparando-se esse resultado com outros estudos pode-se verificar que é bem menor que o de países, como EUA (40,2%), Reino Unido (30,8%), Dinamarca (24,3%),Espanha (22,2%) e Chile (22,4%). Mas superior à Bélgica (5,8%) e Colômbia (5,4%).

A segunda droga com maior uso na vida (exceto tabaco e álcool), foi solvente (6,1%),porcentagem inferior à encontrada nos EUA (9,5%) e superior a países como Espanha(4,0%), Bélgica (3,0%) e Colômbia (1,4%).

A prevalência sobre o uso de Cocaína, Crack e Merla foi, respectivamente, 2,9%, 0,7%, 0,2%.
Entre os medicamentos usados sem receita médica, os Benzodiazepínicos (ansiolíticos) tiveram uso na vida de 5,6%, porcentagem inferior à verificado nos EUA (8,3%).

Quanto aos Estimulantes (medicamentos Anorexígenos), o uso na vida foi de 3,2%, porcentagem próxima a de vários países como Holanda, Espanha, Alemanha e Suécia, mas inferior aos EUA (6,6%).

A dependência para os Benzodiazepínicos atingiu 0,5% dos entrevistados das 108 cidades pesquisadas menor que a dependência de Maconha (1,2%), mas maior que a de Solventes (0,2%) e de Estimulantes Anfetamínicos (anorexígenos) com 0,1% .

No Brasil, o uso na vida de Heroína foi de 0,09% (apenas sete entrevistados), cerca de 13 vezes menos que nos EUA (1,2%). Vale lembrar que a precisão da prevalência do uso na vida para Heroína foi muito baixa.

Ressalte-se a observação de que, na faixa etária de 12 e 17 anos, já existem relatos de uso das mais variadas drogas, bem como facilidade de acesso às mesmas e vivência de consumo próximo. Este dado enfatiza a necessidade de aprimoramento de programas de prevenção nesta faixa etária. Finalmente, 7,8% das jovens relataram ter sido abordadas por pessoas querendo vender-lhes droga.

Um terço da população masculina de 12 – 17 anos, declarou já ter sido submetida a tratamento para dependência de droga.

Em termos de uso na vida, Maconha, Solventes e Benzodiazepínicos disputam, em todas as regiões as três primeiras posições. Estimulantes ocupam, em geral, a quarta posição e os Orexígenos ocupam primeiro lugar no Norte e Nordeste.

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