Médicos Intensificam Ações no Combate ao Alcoolismo com Novas Abordagens Clínicas no Brasil

16/07/2025

Médicos Intensificam Ações no Combate ao Alcoolismo com Novas Abordagens Clínicas no Brasil

 Procedimentos médicos para combate do Alcoolismo 

São Paulo — O alcoolismo, reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma doença crônica e progressiva, tem sido tratado com novos procedimentos médicos que aliam ciência, tecnologia e humanização

Com o aumento de casos de dependência no Brasil — especialmente após a pandemia de COVID-19 — especialistas intensificaram os esforços para modernizar os protocolos clínicos de tratamento, que vão desde a desintoxicação supervisionada até a reinserção social do paciente.

Segundo dados da Fiocruz, mais de 15% da população brasileira consome álcool de maneira abusiva. A média é mais alta entre jovens adultos de 18 a 29 anos, o que preocupa os serviços públicos de saúde. “É uma crise silenciosa que atinge todas as classes sociais e exige resposta urgente e coordenada”, afirma o psiquiatra Dr. Roberto Linneu, especialista em dependência química.

Abordagens clínicas: mais que abstinência, um plano terapêutico completo

Nos grandes centros urbanos, como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, hospitais e clínicas privadas têm adotado o que chamam de plano terapêutico individualizado (PTI), que inclui avaliação psiquiátrica, terapia cognitivo-comportamental (TCC), medicação e orientação familiar. Em muitos casos, o processo começa com uma internação voluntária, com duração de 30 a 180 dias, dependendo da gravidade do quadro.

Além da clássica internação em comunidades terapêuticas, ganham força as terapias ambulatoriais — ideais para pacientes que mantêm suporte familiar e estrutura social. “O tratamento evoluiu. Hoje sabemos que não basta parar de beber. É preciso tratar as causas emocionais, os transtornos associados e criar uma nova rotina para o paciente”, explica a psicóloga clínica Maria Helena Costa.

Medicamentos em uso e impacto na adesão ao tratamento

A farmacologia também avançou. Medicamentos como naltrexona e acamprosato são usados para reduzir o desejo pelo álcool, enquanto o disulfiram continua eficaz em causar aversão ao consumo. O tratamento medicamentoso é normalmente associado à psicoterapia. “Não existe pílula mágica, mas os remédios são aliados importantes para pacientes motivados”, diz o farmacologista clínico Eduardo Mendes.

Internações involuntárias e debate legal

Um ponto sensível na luta contra o alcoolismo é a internação involuntária, prevista por lei e permitida mediante laudo médico. O número de pedidos cresceu nos últimos cinco anos, segundo levantamento do Ministério da Saúde. A prática, porém, levanta debates sobre autonomia, dignidade e eficácia. “A decisão deve ser tomada com responsabilidade e sempre visando o bem-estar do paciente”, ressalta a defensora pública Carolina Sousa.

Prevenção ainda é o maior desafio

Embora os avanços no tratamento sejam significativos, especialistas alertam que a prevenção continua sendo o elo mais fraco da cadeia. Políticas públicas ainda são tímidas em escolas, mídias e comunidades. “Campanhas de massa e educação contínua sobre o uso responsável do álcool devem ser prioridade nacional”, aponta o sociólogo André Villela.

O Ministério da Saúde, por meio dos CAPS AD e da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), oferece atendimentos gratuitos para dependentes e familiares. Em paralelo, clínicas particulares ampliam sua atuação em estados como Santa Catarina, Pernambuco, Goiás e Pará.

Caminhos abertos para a recuperação

Embora o alcoolismo não tenha cura definitiva, os especialistas são unânimes em afirmar que a doença pode ser controlada com disciplina, apoio e acompanhamento. Milhares de brasileiros estão em processo de reabilitação, muitos deles com histórias inspiradoras. “Quando o paciente entende que está doente, o caminho da recuperação deixa de ser uma possibilidade e vira um projeto de vida”, conclui Dr. Linneu.

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